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O ano que a PF revelou ao país um golpista com mais de 25 mil vítimas

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Quadrilha encabeçada por Celso Èder, empresário de MS é suspeita de lucrar com a exploração de minas de ouro inexistentes

Celso Éder Gonzaga de Araújo, 25 anos. No dia 21 de novembro de 2017, ele ficou nacionalmente conhecido. O motivo? Segundo a Polícia Federal, que espalhou naquele dia equipe por Campo Grande para vasculhar vários endereços durante a operação Ouro de Ofir, o jovem empresário é um dos maiores golpistas do país e fez pelo menos 25 mil vítimas em todos os estados brasileiros.

O ambicioso rapaz criou a empresa Company Consultoria Empresarial, pois ele afirmava ser herdeiro de uma mina de ouro que foi explorada na época do império. Por isso, Celso tinha direito a receber uma comissão. O processo, segundo a engenhosa trama, começou há 60 anos para recuperar a tal comissão. Só que o acordo que foi feito em uma suposta corte internacional era de que 60% iria para a família e 40% para terceiros, que ajudariam com os custos de recuperação desses valores.

Bolada a criativa história, era então a hora de dar base à ela. Dizendo ser cônsul honorário da República da Guiné-Bissau, país africano, em ações na Justiça é apresentado como comerciário, na capa de uma revista como administrador e empresário de sucesso.

Com os inúmeros títulos, Celso já contava com uma rede de comparsas. Os participantes eram divididos em quatro categorias: os cabeças da instituição financeira clandestina, os escriturários (autorizados a fazer contratos com terceiros) e os corretores (que criavam grupos de propaganda no WhatsApp).

Os envolvidos começaram a vender as custas da ajuda no processo para terceiros. A “apólice” mínima era de R$ 1 mil. O que investidor receberia em troca? A promessa esdruxula que o mil investido se transformaria em milhões, bilhões e até trilhões. As cifras, variavam para determinados investidores, pois alguns eram “escolhidos” e com este direito podiam apostar mais alto para colher mais que os outros.

Parte da “clientela” vinha de igrejas, cujo discurso do Evangelho reforça que os fiéis terão benção financeira. Conforme a investigação, a característica principal da fraude era atingir a fé das pessoas e na crença em um enriquecimento rápido e legítimo, que pode ser resumido em “presente de Deus”.

As menções à fé marcam presença nos grupos em redes sociais e aplicativo, que replicam expressões como “vocês têm que acreditar”, “vocês foram os escolhidos“, “aguardem que a benção virá”, “tenham paciência que isso é uma dádiva de Deus”.

Se deu certo? Conforme a apuração da PF, o rapaz com 24 anos tinha renda de R$ 20,5 mil, mas a movimentação em uma das contas bancárias dele saltou para a cifra de R$ 3,4 milhões.

Os dados são do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que é vinculado ao Ministério da Fazenda. Segundo órgão, parte deste enriquecimento veio no curto período de 1 de junho a 5 de setembro de 2016, quando foram feitos 455 depósitos bancários na conta dele de contas dos estados de SP, PR, CE, TO, DF, MG, PB, MS, MT, PI, RJ, GO, AL, BA, RS e SC. O montante destas operações foi de R$ 1,7 milhão.

O montante parece mais um grão de areia perto do que ele declarou no Imposto de Renda. Em trecho do documento da representação pela prisão do suspeito, a PF destaca que a partir de uma LTN (Letra do Tesouro Nacional) – transferida por Ricardo Machado Neves, outro investigado -, Celso Éder informava ter R$ 3.938.441.828,00 (três bilhões, novecentos e trinta e oito milhões, quatrocentos e quarenta e um mil, oitocentos e vinte e oito reais) de patrimônio.

Para a PF, o valor astronômico não foi só declarado de forma suspeita, mas sim totalmente ilegal. A fraude, segundo o delegado federal Cleo Mazzotti, era usada como “prova” dos valores, uma forma de passar a sensação de segurança as vítimas para que investissem na promessa de um negócio absurdamente lucrativo.

Mas, declarações como esta e uma coleção de inúmeras vítimas, Celso passou a ser investigado e o dia em que ficou nacionalmente conhecido, foi também a data em que acabou preso.

As investigações foram comandadas pelo delegado federal Guilherme Guimarães Farias. Policiais federais junto com servidores da Receita foram às ruas de Campo Grande, Terenos, Goiânia (GO) e Brasília (DF) para cumprir 19 mandados – 11 de busca de apreensão, 4 de prisão temporária e 4 de condução coercitiva.

A operação prendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro, 200 quilos em supostas pedras preciosas, armas e carros de luxo.

O nome da operação, Ouro de Ofir, é inspirado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Tal cidade nunca foi localizada e nem o metal precioso que seria de origem dele.

“Não se trata apenas de um crime contra os consumidores, a chamada “pirâmide financeira” ou algo similar, apesar do número de vítimas ser alto e atingir todo o território nacional. Os investidores/vítimas acreditam que “investiram” seu capital em um negócio lícito e altamente rentável, sem contudo confirmarem as informações prévias a eles prestadas”, consta no documento representando pela prisão de Celso Éder.

Além de Celso, foram presos temporariamente Anderson Flores de Araújo e Sidney Anjos Peró. Um está foragido. Eles, segundo a polícia, são operadores do esquema. O trio continua preso no Presídio de Transito da Capital. A última movimentação da Company, segundo vizinhos, foi no dia da operação.

E mesmo diante de todas as provas expostas pela polícia, no mesmo dia que a Polícia Federal prendeu três suspeitos de aplicar golpe milionário, “caçadores” de clientes e pessoas que investiram dinheiro falam em complô. Em grupos de WhatsApp as teorias que circulam entre os participantes vão de que a operação Ouro de Ofir é uma “trama do Governo Federal”, a testemunhos de pessoas que supostamente seriam do alto escalão de grandes entidades financeiras dizendo que a liberação dos recursos prometidos começou.

As vítimas da quadrilha já haviam feito planos “de rico” para o dinheiro que nunca chegou. Casas em condomínios de luxo, reformas e até lista de empreendimentos extravagantes faziam parte do sonho de quem apostou tudo o que tinha, no que segundo a polícia, não passava de uma farsa. Elas, chegaram a ser apelidadas por corretores da Capital como “clientes do ouro”.

Fonte: Campo Grande News

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